Começaremos navegando o passado, a história do estilo boêmio remonta ao século XIX, quando artistas e intelectuais de Paris trocaram os conjuntos (e espartilhos) restritivos e elaborados de sua época por silhuetas mais soltas, estampas florais e camadas românticas de veludo e renda. Graças aos seus estilos de vida não convencionais, esses livres-pensadores ficaram conhecidos como "bohémiens" — um termo francês originalmente usado para descrever o povo nômade cigano, que era erroneamente considerado originário da região da Boêmia, na Europa Central. Em meados do século XIX, escritores como Victor Hugo, Honoré de Balzac e Henri Murger usavam o termo para descrever qualquer pessoa que não se submetesse às normas sociais.
O termo "boêmio" sobreviveu e foi usado durante a agitada década de 1920, a Segunda Guerra Mundial e até a década de 1960, quando toda uma geração de livres-pensadores criou uma nova contracultura própria. Esses hippies abraçaram o sexo, as drogas e o rock n' roll — e, assim como seus antecessores um século antes, também se esquivaram das normas sociais vestindo-se com tecidos fluidos, estampas ecléticas e roupas folclóricas de brechó. Seus ícones de estilo eram igualmente descontraídos e laissez-faire. Pense em: Janis Joplin, Joni Mitchell, Marianne Faithful e outras. Do boêmio ao boho chic, na década de 1970, estilistas como Thea Porter, Yves Saint Laurent e Karl Lagerfeld, da Chloé, levaram a estética folk para as passarelas, com looks que personificavam uma visão glamorosa de romance espontaneamente livre.
A estética se tornou um item recorrente nas passarelas — e no guarda-roupa. Na década de 1990, Tom Ford, da Gucci, Anna Sui e Isabel Marant, continuou a desenvolver o gênero. Suas iterações frequentemente misturavam referências dos anos 1960, mas acenavam para o crescente movimento grunge (outra contracultura que desafiava as normas!) e, por fim, abriram caminho para a popularidade da tendência em meados dos anos 2000. Como idealizada pela estilista Rachel Zoe, que vestia todo mundo, de Mischa Barton a Nicole Richie, a versão "naughty" do estilo boho chic era baseada em uma mistura entre pessoas e contextos sociais, tornando-se um sucesso instantâneo entre as jovens antenadas em moda em todos os lugares. Era fácil de copiar: tudo o que você precisava era de um vestido floral ou uma minissaia com alças finas, uma blusa estilo camponesa, um colete de pele de carneiro, um cinto de tachinhas de cintura baixa, uma bolsa com franjas e algumas botas de camurça ou couro. A magia estava na mistura, não em uma única peça ou marca específica.
O ressurgimento do estilo boho chic teve origem na Chloé, onde a recém-nomeada diretora criativa Chemana Kamali tem se dedicado a reinterpretar muitas das joias de inspiração boho dos anos 1970 de Karl Lagerfeld e clássicos de sua antecessora, Phoebe Philo. Desta vez, porém, a vibe é um pouco mais suave e refinada — e talvez mais certeira do que nunca. A mudança da alfaiataria rígida e do minimalismo austero abriu espaço para uma forma mais romântica e expressiva de se vestir. Chemena Kamali redesenhou o significado de roupas românticas e femininas novamente idealizando que o boho desta temporada abraça o movimento: camadas de chiffon, vestidos leves e texturas artesanais que trazem uma sensação de aconchego e individualidade. Mas, em vez de se inclinar demais para a nostalgia vintage, o novo boho encontra equilíbrio por meio do contraste, entre batas de babados e transparência, a austeridade aparece no couro e camurça nos pés.