10 movimentos que definem a moda atual, por Tete Conde
02 Abr
Se antes as semanas de moda funcionavam como um guia estético quase literal, do que seria tendência, hoje elas operam em um território muito mais complexo: o da construção de comportamento.
Winter 2026: confira as principais trends!
As últimas temporadas apresentadas em Nova York, Londres, Milão e Paris deixam claro que a moda de 2026 não está mais interessada em ditar regras, mas em refletir tensões contemporâneas. Entre o desejo por expressão individual e a necessidade de funcionalidade, entre o excesso visual e o refinamento silencioso, o que se vê nas passarelas é menos sobre peças isoladas e mais sobre como elas se conectam com a vida real.
Existe uma mudança estrutural acontecendo. Saímos de um ciclo dominado pelo minimalismo e pela estética do “quiet luxury” — onde a validação vinha da discrição — para um momento em que a identidade volta a ocupar o centro da narrativa.
Mas essa nova fase não se traduz em exagero descontrolado. Pelo contrário: ela propõe um equilíbrio sofisticado entre impacto e intenção. As coleções recentes revelam um consumidor mais consciente, mais exigente e, principalmente, mais interessado em se reconhecer naquilo que veste. Isso se traduz em escolhas que priorizam textura, construção, proporção e styling — elementos que, juntos, criam não apenas um look, mas uma mensagem.
Nesse contexto, as tendências que emergem das passarelas não devem ser interpretadas como direções rígidas, mas como códigos culturais. Elas indicam como a moda está respondendo a um novo tipo de mulher: multifacetada, dinâmica e cada vez menos disposta a abrir mão de conforto, identidade ou estética.
É a partir dessa leitura que mapeamos as 10 principais tendências que definem o cenário atual — não apenas como movimentos visuais, mas como reflexo.
SEX APPEAL REFINED (sensualidade sofisticada)
Transparência com elegância,recortes estratégicos e silhueta que revela sem exagero. Forte presença nas passarelas com retorno do sexy refinado. Quando falamos de sapatos vemos essa tendência nas botas retas que criam a estrutura clássica.
NOVO BURGUÊS (bourgeois revival)
Alfaiataria clássica, saias midi, estética “rich woman". Quando falamos de sapatos, vimos o quiet luxury atualizado com scarpins editados, chamando de Glove scarpins com uma referência a um efeito luva em uma silhueta desenhada.
MAXIMALISMO CRIATIVO
Mix de cores e texturas,layering complexo e styling protagonista. Fashion weeks mostraram uma virada para expressão visual. E quando vemos para o mundo dos sapatos, a extravagância nas silhuetas com bordados, brilhos, aplicações e até mesmo peças statement adornando. A era da Carrie Bradshaw revisitada.
CORES INTENSAS (color energy)
Roxo, vermelho, azul.Color blocking e combinações ousadas. Cores vibrantes dominaram coleções recentes e o mesmo color blocking transpassou aos sapatos como ponto de cor e maximalismo.
WOOD MANIA
Vemos nessa última temporada a evolução do Boêmio que emerge novamente com códigos como fluidez, babados, camadas, floral e romantismo. Quando olhamos para os pés, vemos a estética rústica da madeira em flatforms, clogs e sandálias.
STRAPPY SANDALS
Dominando as passarelas desta temporada temos as amarrações. Sendo uma característica atribuída do boêmio Western, elas revelam a feminilidade dentro do aspecto rústico. Nos sapatos vemos as sandálias de amarrar como tendência máxima da temporada.
STEPS BETWEEN US
A collab que transforma sapatos em narrativa de vida Quando o design encontra emoção, o produto vira experiência. A nova collab entre Vicenza e Iorane não é apenas mais um lançamento — é um exercício de construção de identidade através do produto. Inspirada nos movimentos da vida real — uma viagem, um novo ciclo, encontros cotidianos — a coleção traduz o que a moda contemporânea busca hoje: significado.
A collab mais desejada do momento. A união entre Vicenza e Iorane já se consolidou como um território criativo onde o clássico encontra o contemporâneo. Nesta nova edição, o equilíbrio é ainda mais refinado: força, leveza, elegância, atitude, sofisticação e informação de moda.
O resultado é um diálogo claro entre dois universos: o DNA sofisticado da Iorane e a leitura moderna, quase urbana, da Vicenza. Aqui, o produto deixa de ser apenas funcional — ele passa a representar os “passos” da mulher contemporânea.
O novo clássico não é básico — ele é construído em detalhe. A coleção traz elementos-chave que estão em ascensão: bico levemente quadrado (afastando o ultra fino tradicional),saltos estruturados com base geométrica, shapes atemporais com intervenções modernas e silhuetas limpas com complexidade de construção.
TEXTURAS & MATERIAIS: O verdadeiro protagonista da coleção. A coleção aposta em: mix de materiais (couro + verniz + camurça),superfícies táteis que criam profundidade visual, contrastes sutis, não óbvios e acabamentos sofisticados, como o brilho localizado.
Mais do que apontar direções estéticas, as últimas semanas de moda deixam claro que estamos diante de uma mudança mais profunda: a transição de uma moda baseada em códigos rígidos para uma moda orientada por identidade.
As tendências que emergem das passarelas — do retorno do clássico com informação de moda ao uso intencional da imperfeição, passando pela valorização da textura, do volume e da construção — não operam de forma isolada. Elas compõem um novo vocabulário visual, onde cada escolha carrega significado.
É dentro desse contexto que colaborações como a Vicenza + Iorane ganham relevância. Mais do que acompanhar tendências, a collab traduz esses movimentos em produto real — equilibrando sofisticação e funcionalidade, estética e usabilidade, desejo e pertencimento. Cada peça reflete exatamente o que a moda contemporânea exige: identidade, versatilidade e intenção.
Nesse cenário, vestir-se deixa de ser apenas um exercício de estilo e passa a ser um posicionamento. A mulher contemporânea não busca apenas acompanhar tendências; ela busca interpretar, adaptar e, sobretudo, se reconhecer naquilo que escolhe usar.
E talvez seja esse o ponto central: a moda de agora e, principalmente, a de 2026 não pode ser reduzida ao que é novo. Ela precisa ser entendida pelo que representa. Porque, no fim, não se trata mais de seguir a moda. Mas de entender o que ela está dizendo e decidir como você quer responder.